Empréstimos para comprar casa continuam a crescer

A dívida das famílias aos bancos para comprar casa voltou a aumentar em julho. De acordo com os dados do Banco de Portugal (BdP), o stock de crédito à habitação chegou aos 118 mil milhões de euros, estabelecendo um novo máximo histórico. Num único mês, a carteira de empréstimos aumentou cerca de 1,2 mil milhões de euros. Trata-se da maior subida mensal desde dezembro de 2009, mostrando a forte dinâmica que continua a existir no mercado de crédito à habitação.
O crescimento acontece num contexto de procura elevada por financiamento, depois de um período em que as taxas de juro pressionaram os orçamentos das famílias e incentivaram muitos devedores a amortizar antecipadamente os seus empréstimos.

Garantia pública influencia procura dos jovens

A procura por crédito à habitação tem sido também impulsionada pelo acesso à garantia pública destinada aos jovens compradores. O mecanismo entrou em vigor no início de 2025 e permite facilitar o financiamento da compra da primeira habitação permanente, dentro das condições previstas. O programa começou com uma dotação de 1,2 mil milhões de euros, posteriormente reforçada para 2,3 mil milhões. A medida contribuiu para aumentar a procura por financiamento entre os compradores mais jovens.
Ao mesmo tempo, a alteração das regras aplicáveis à concessão de crédito poderá ter levado algumas famílias a antecipar os seus pedidos de financiamento antes da entrada em vigor das novas condições.

Juros mais baixos reduzem amortizações

A evolução do crédito à habitação também está relacionada com o comportamento das taxas de juro. Depois dos níveis elevados registados nos últimos anos, a redução dos encargos tornou menos atrativa a amortização antecipada dos empréstimos.
Em 2023 e 2024, muitas famílias optaram por reduzir a dívida perante o aumento das prestações. Com um cenário de juros menos pressionado, essa tendência perdeu força, contribuindo para o crescimento do montante total em dívida.

Crédito às famílias e empresas também sobe

O aumento não se limitou ao crédito à habitação. O montante total dos empréstimos concedidos a particulares, incluindo financiamento para habitação e consumo, alcançou 153,5 mil milhões de euros em julho.
Também o crédito às empresas registou uma evolução positiva. O stock de empréstimos às empresas aumentou 438 milhões de euros face ao final de junho, refletindo igualmente uma maior utilização do financiamento bancário.
Os dados mostram, assim, que o crédito à habitação continua a ganhar peso e a renovar máximos, num mercado marcado por uma procura significativa por financiamento para comprar casa.

Fonte: SUPERCASA
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