Quando a decoração nunca parece estar terminada

A insatisfação decorativa surge quando, apesar das mudanças constantes em casa, permanece a sensação de que falta alguma coisa. Trocar móveis, reorganizar divisões ou seguir novas tendências pode trazer entusiasmo momentâneo, mas nem sempre altera a relação com o espaço. Uma das razões está na comparação permanente com outros interiores. Nas redes sociais, é fácil encontrar salas cuidadosamente preparadas, fotografadas com a iluminação certa e sem os sinais de uma casa habitada. Essa exposição cria expectativas difíceis de transportar para o quotidiano.
Ao comparar uma divisão real com imagens produzidas para inspirar ou vender um determinado estilo, a casa pode começar a parecer menos interessante do que realmente é. A insatisfação decorativa alimenta-se precisamente dessa distância entre aquilo que temos e aquilo que acreditamos que deveríamos ter.

O efeito das compras na perceção da casa

Comprar uma peça nova pode produzir uma sensação imediata de renovação. No entanto, a novidade perde rapidamente o impacto e aquilo que parecia ser a solução passa a integrar o cenário habitual.
Este mecanismo ajuda a explicar porque motivo algumas mudanças conduzem a outras. Uma nova peça pode fazer com que outro móvel pareça desatualizado, levando a mais compras e alterações. O resultado é um ciclo em que a decoração está constantemente a ser modificada sem que exista uma satisfação duradoura.
Além disso, acrescentar objetos nem sempre melhora uma divisão. Quando demasiados elementos disputam a atenção, o espaço pode tornar-se visualmente pesado. Por vezes, retirar peças é mais eficaz do que acrescentar outras.

Uma casa deve refletir quem lá vive

Outro fator importante é a dificuldade em definir um estilo próprio. Seguir apenas aquilo que está na moda pode criar uma decoração visualmente correta, mas pouco ligada à personalidade de quem habita a casa.
Antes de comprar, pode ser útil perceber quais são as cores, materiais, formas e objetos que realmente fazem sentido. Peças herdadas, lembranças de viagens ou elementos com valor emocional podem contribuir mais para a identidade de uma divisão do que várias compras feitas por impulso.
A iluminação também tem um papel relevante. Diferentes pontos de luz podem alterar a atmosfera de uma divisão e, muitas vezes, são uma intervenção mais simples do que substituir móveis ou renovar toda a decoração.

Menos pressão para ter a casa perfeita

Combater a insatisfação decorativa passa também por aceitar que uma casa não precisa de estar permanentemente pronta. Um espaço habitado muda com as pessoas, os hábitos e as diferentes fases da vida.
Dar tempo a uma divisão antes de decidir o que falta permite perceber melhor as necessidades reais. Em vez de comprar imediatamente, pode ser útil retirar alguns objetos, experimentar novas disposições e observar o resultado durante alguns dias.
A decoração torna-se mais pessoal quando deixa de ser uma tentativa de reproduzir imagens perfeitas. Uma casa confortável não precisa de parecer uma fotografia de revista. Precisa de funcionar para quem lá vive e transmitir uma sensação de pertença.
Assim, a insatisfação decorativa pode diminuir não quando se compra mais, mas quando se passa a escolher com maior intenção e menos influência das tendências.

Fonte: SUPERCASA
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